O debate sobre os diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Altas Habilidades/Superdotação na vida adulta será tema de discussão na próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). A psicóloga Luciana Zanon integrará a programação oficial da Casa “Escreva, Garotas!”, participando da mesa VIP para debater as interseções entre saúde mental e literatura.

A mesa, intitulada “Escrever o invisível: desejo, silêncio e subjetividade feminina”, contará também com a presença da escritora Renata Belmonte. Segundo a proposta do encontro, as autoras discutirão os espaços do “não dito” e a construção narrativa como ferramentas para a elaboração do sofrimento emocional.

Diagnóstico tardio e literatura

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Com mais de 20 anos de experiência clínica, Zanon apresentará seu livro “Ossos de Cristal”, escrito a partir de sua própria vivência com o diagnóstico de superdotação recebido aos 60 anos. Na FLIP, a autora traz para o centro das discussões um recorte focado na neurodivergência sob a ótica da mulher na maturidade.

“O sofrimento dessas pessoas não vem da intensidade em si, mas da ausência de espelhamento ao longo da vida. Elas sentiram profundamente, mas precisaram aprender sozinhas a se traduzir”, afirma a psicóloga e escritora.

A obra narra a trajetória de Melan, uma protagonista que passa décadas mascarando sua alta sensibilidade e inteligência para tentar pertencer ao mundo. Na narrativa, a expressão “ossos de cristal” atua como uma metáfora para uma estrutura emocional e cognitiva altamente responsiva, e não para uma condição física.

Fundamentação e prática terapêutica

A abordagem do livro encontra respaldo em pesquisas sobre o tema. Um estudo sobre a complexidade da superdotação, publicado pelo pesquisador Francis Heylighen, analisa o fato de que muitas pessoas chegam à vida adulta com diagnósticos rasos de ansiedade crônica e TDAH, carregando rótulos de “intensas demais”. Para se adaptarem a ambientes hostis, essas pessoas adotam comportamentos de extrema funcionalidade até atingirem o esgotamento neurossensorial e crises de pânico.

É a partir do colapso da protagonista que a narrativa aborda o alívio do diagnóstico clínico tardio, trazendo ressignificação. Além da história, “Ossos de Cristal” inclui o “Caderno de Ecos”, um apêndice concebido como ferramenta terapêutica interativa. A seção propõe perguntas de reflexão para que os leitores mapeiem dinâmicas da infância e desconstruam máscaras da vida adulta.

Sobre a autora

Luciana Zanon é escritora, psicóloga, psicoterapeuta e aconselhadora biográfica. Graduada em Psicologia e Administração, possui especializações em Psicologia Transpessoal, Mediação de Conflitos e Aconselhamento Biográfico de base antroposófica. Há mais de vinte anos dedica-se ao acompanhamento clínico de adultos, especialmente mulheres. É criadora da metodologia Mulheres em Faces. A descoberta tardia da superdotação tornou-se o elemento central de sua pesquisa e de sua estreia na literatura com “Ossos de Cristal”.

FONTE/CRÉDITOS: DINO