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Alterações digestivas não devem ser observadas apenas como desconfortos passageiros, especialmente quando se repetem ou surgem acompanhadas de sangramento, perda de peso ou mudanças prolongadas no funcionamento intestinal. Por conta disso, a alimentação equilibrada, a prática de atividade física e a investigação de sintomas persistentes se tornam importantes.
Dados chamam a atenção sobre a incidência do câncer colorretal, doença que se desenvolve no cólon ou no reto. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar aproximadamente 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de intestino ocupa a segunda posição entre os tipos mais frequentes no país.
A estimativa atual representa um aumento em relação ao levantamento referente ao triênio de 2023 a 2025. Naquele período, o INCA calculava aproximadamente 45,6 mil novos casos anuais de câncer de cólon e reto no Brasil. A comparação entre as estimativas indica um acréscimo de cerca de 8,2 mil diagnósticos por ano, embora mudanças demográficas, envelhecimento populacional e atualizações metodológicas também possam influenciar os números projetados.
Em 2026, o Ministério da Saúde anunciou a adoção, no Sistema Único de Saúde, do teste imunoquímico fecal, conhecido como FIT. O exame identifica pequenas quantidades de sangue nas fezes que não são necessariamente visíveis. De acordo com o INCA, a estratégia poderá ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e à detecção precoce do câncer de intestino.
Os dados relacionados ao peso corporal também integram o debate sobre a saúde digestiva. O levantamento Vigitel Brasil, realizado pelo Ministério da Saúde nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, mostrou que a frequência de excesso de peso entre os adultos aumentou de 42,6% em 2006 para 61,4% em 2024. No mesmo período, a obesidade passou de 11,8% para 25,7%. Isso significa que, em 2024, aproximadamente seis em cada dez adultos entrevistados apresentavam excesso de peso e cerca de um em cada quatro tinha obesidade.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona o excesso de peso e a obesidade ao aumento do risco de diferentes tipos de câncer, incluindo os tumores de esôfago e colorretal. A entidade também aponta a alimentação com grande quantidade de carnes processadas e vermelhas, o baixo consumo de frutas e verduras, a inatividade física, o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas entre os fatores associados ao câncer colorretal.
No campo da alimentação, a OMS recomenda que pessoas com mais de 10 anos consumam pelo menos 400 gramas de frutas e verduras por dia. A orientação também estabelece a ingestão mínima diária de 25 gramas de fibras alimentares naturalmente presentes nos alimentos para essa faixa etária. Frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais estão entre as principais fontes de fibras.
As fibras participam da formação e da movimentação do bolo fecal, mas seu aumento deve ser acompanhado de ingestão adequada de líquidos. Alterações bruscas na alimentação ou consumo excessivo de fibras sem orientação podem causar distensão abdominal, gases e desconforto em algumas pessoas. Pacientes com estreitamentos intestinais, doenças inflamatórias, histórico de cirurgias ou outras condições específicas podem necessitar de recomendações individualizadas.
“Os dados reforçam que a prevenção digestiva depende de hábitos saudáveis, investigação de sintomas e acompanhamento individualizado. Não existe uma única orientação alimentar adequada para todos os pacientes, pois o histórico clínico e a presença de doenças precisam ser considerados”, afirma o Dr. Tiago Emanuel Souza, cirurgião do aparelho digestivo.
Além da prevenção, o reconhecimento de sinais de alerta pode contribuir para o diagnóstico de doenças do sistema digestivo. Sangue nas fezes, dor abdominal persistente, dificuldade para engolir, vômitos recorrentes, anemia sem causa esclarecida, perda de peso involuntária e mudanças prolongadas na frequência ou na aparência das evacuações exigem avaliação médica.
Esses sintomas podem ocorrer em diferentes condições e não indicam necessariamente a presença de câncer. A investigação clínica permite considerar a duração das alterações, a idade, o histórico familiar, os hábitos de vida, o uso de medicamentos e a existência de doenças anteriores. Dependendo da avaliação, podem ser solicitados exames laboratoriais, endoscópicos ou de imagem.
Os números apresentados pelas instituições de saúde não significam que todos os casos possam ser evitados apenas com mudanças comportamentais. Fatores genéticos, idade, histórico familiar e condições preexistentes também influenciam o risco. No entanto, as evidências sustentam a importância de alimentação equilibrada, manutenção do peso corporal, atividade física e redução da exposição ao tabaco e ao álcool como parte das medidas preventivas.
Website: https://tiagoesouza.com.br
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