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Aos poucos, o nervosismo deu lugar à emoção. Quando o nome da equipe brasileira foi anunciado como campeã mundial de robótica, Lara Ranna viveu um momento que dificilmente esquecerá. Integrante da equipe do SESI Canaã, a estudante goiana ajudou a conquistar um feito inédito para o Brasil: o primeiro lugar na First Lego League Asia Pacific Open Championship, realizada na Austrália, além do prêmio de Melhor Desempenho do Robô.
A conquista representa um marco para a robótica educacional brasileira. Pela primeira vez em sete anos, uma equipe do país alcançou o lugar mais alto do pódio na competição internacional, que reuniu estudantes de diversos países e algumas das equipes mais preparadas do mundo.
Para Lara, tudo ainda parece difícil de acreditar.
"O que passou pela minha cabeça foi que nós conseguimos, pela primeira vez em sete anos, um primeiro lugar para a equipe. E conquistamos isso do outro lado do mundo."
Primeira viagem internacional e um sonho realizado
Além da responsabilidade de representar o Brasil, a competição marcou outro momento especial na vida da estudante: foi sua primeira viagem para fora do país. A adaptação ao clima, ao fuso horário, à alimentação e à cultura australiana fez parte do desafio.
"Foi uma sensação muito boa, porque foi a primeira vez que saí do Brasil. Tivemos que nos acostumar com a comida, com o clima e com o fuso horário. E ainda conseguimos o primeiro lugar do mundo. É muito bom ver que todo o nosso esforço valeu a pena."
A equipe percorreu mais de 12 mil quilômetros até a Austrália para disputar o campeonato que reúne algumas das melhores equipes de robótica do planeta.
Segundo a professora responsável pelo grupo, o resultado foi fruto de muito trabalho.
"É uma emoção que não cabe no peito. Ver o resultado de tanto trabalho duro, de noites em claro testando componentes e programação ser coroado com o título máximo do outro lado do mundo é inexplicável. Eles competiram com muita maturidade e representaram muito bem a nossa escola e o nosso país."
Uma oportunidade que mudou seu caminho
A história de Lara com a robótica começou em 2024, quando surgiu a oportunidade de participar do processo seletivo da equipe do SESI. Ela foi aprovada e nunca mais deixou os treinamentos. Hoje, sua rotina é dividida entre as aulas da escola e os treinos quase diários.
"Vou para a escola e treino todos os dias, menos aos domingos. É um pouco difícil conciliar, mas nossos técnicos organizam um tempo para fazermos as tarefas da escola e manter um bom desempenho."
Muito além da programação
Na equipe, Lara teve um papel importante no desenvolvimento do projeto.
Ela foi responsável pela pesquisa, elaboração do caderno de engenharia, desenhos técnicos e pelo registro dos testes realizados durante a construção do robô.
"Nós registrávamos todos os erros do robô e procurávamos melhorar cada detalhe até que ele funcionasse perfeitamente."
O trabalho coletivo chamou a atenção dos jurados. Além do título geral, a equipe conquistou o prêmio de Melhor Desempenho do Robô, reconhecimento concedido às equipes que apresentam maior eficiência nas missões propostas pela competição.
Um dos integrantes da equipe resumiu o sentimento da conquista.
"A gente sabia que o nível lá fora era muito alto, com equipes do mundo inteiro e muita tecnologia. Mas nosso robô estava muito bem preparado e o projeto resolveu exatamente o problema que os juízes buscavam. Ouvir o nome do SESI Canaã e do Brasil como campeões mundiais foi o momento mais incrível da minha vida."
Lições que vão além da robótica
Durante os dias na Austrália, Lara também teve contato com estudantes de diferentes nacionalidades.
Mesmo falando idiomas diferentes, a convivência foi marcada pela troca de experiências.
"Falamos com pessoas que falavam mandarim, espanhol e outros idiomas. Sempre encontrávamos uma forma de nos entender."
Ela ainda aproveitou para conhecer pontos turísticos e observar características que chamaram sua atenção.
"Vi cangurus, coalas, visitei a Opera House e fiquei impressionada com a organização das cidades."
O próximo desafio
Depois de conquistar o mundo, Lara já pensa nos próximos passos.
Entre os objetivos estão aprender inglês, continuar os estudos, fazer ginástica e aprofundar seus conhecimentos em biodiversidade e animais.
Mais do que os troféus conquistados, ela espera que sua trajetória incentive outros jovens.
"Mesmo sendo nova, é uma experiência muito boa. Quem participar vai descobrir quem realmente é."
Para Goiás, a conquista entrou para a história. Para Lara Ranna, foi apenas o começo de uma jornada que nasceu dentro da sala de aula e já alcançou o topo do mundo.
Publicado por:
F5 Goiás
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